História

No dia 10 de agosto de 1900, quando o Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus contava apenas com seis anos de existência, as primeiras Apóstolas Missionárias partiram de Gênova para São Paulo, chegando no dia 18 de setembro. Eram elas: Madre Eliza Pederzini, Irmã Assunta Bellini, Irmã Madalena Pampana, Irmã Inês Rizzieri, Irmã Antonieta Fontana e Irmã Carmela Tomedi. A missão que as esperava era o Orfanato Cristóvão Colombo, no bairro do Ipiranga, dirigido pelos Missionários de São Carlos, onde já atuavam as Irmãs Carlistas. No dia 22 de setembro de 1907, as Irmãs Apóstolas deixavam o Orfanato para trabalhar no Hospital Humberto Primo, voltado ao atendimento da colônia italiana em São Paulo e a quantos mais necessitassem.

A Educação como Missão

Para entendermos como as Apóstolas enveredaram pelo ramo educacional, precisamos situar-nos no contexto religioso, social, político e econômico, tanto da Itália, como do Brasil. A sociedade brasileira passou por grandes transformações nas últimas três décadas do século XIX com o movimento de imigração europeu, principalmente italiano e alemão, que fincou raízes no sul do país. A população das colônias crescia; outras famílias adquiriam terras e se uniam fraternalmente às primeiras que haviam chegado. Faziam crucifixos de madeira e, em procissão, iam de uma colônia a outra. Nesse contexto, surgiu a escola, como uma necessidade de alfabetizar as crianças, para melhor aprendizagem do catecismo, condição indispensável para a recepção dos sacramentos. Os responsáveis pela pastoral dos imigrantes levavam em consideração a situação política do Brasil que, em 1889, com a passagem do Império para a República, sofreu mudanças profundas. A Constituição republicana decretou a implantação do estado leigo, com as respectivas consequências na família e na educação. Os bispos passavam a condenar o ensino neutro nas escolas, que era considerado como uma forma prática de ateísmo e causa de profundos males no país, mas o governo republicano deixava plena liberdade para a instituição eclesiástica se expandir e fortalecer nesse período, o que não ocorria na época imperial.

A garra com que a Igreja Católica assumiu a educação fez multiplicar as escolas paroquiais, em casa, no núcleo populacional ou colonial de imigrantes europeus. Das escolas que foram surgindo, as paroquiais italianas pareceram constituir um modelo pouco adotado no ensino elementar da região. O próprio governo da Itália passou a se interessar pela manutenção de uma rede escolar entre os colonos como instrumento para o fortalecimento da cultura italiana entre eles. As escolas paroquiais nas colônias italianas foram vínculos significativos para a manutenção da fé católica entre filhos de imigrantes e seus descendentes. De certo modo, prepararam o terreno para que as Apóstolas pudessem empreender sua ação educativa nessa área. Até porque os professores na época eram improvisados e pouco à altura da missão. Assim, os sacerdotes e o bispo solicitavam religiosas para abrirem escolas.

Pompéia

O trabalho das Irmãs desenvolvido no início do século junto ao Hospital Umberto Primo foi importante, pois, lá, travaram contato com a família Matarazzo, proprietária das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, com sede na Pompeia.

Foi também neste hospital que travaram contato com os padres camilianos, a quem cabia a organização e orientação dos serviços religiosos, desde outubro de 1923. A Congregação dos camilianos já estava situada no bairro da Pompeia. Uma reestruturação administrativa no Instituto, realizada em 1921 fez com que as Irmãs providenciassem uma casa para ser a Sede Provincial, que serviria de residência para a Vigária Provincial e ao mesmo tempo, para o Noviciado, a ser erigido. Até o ano de 1921, portanto, o Instituto não possuía, em São Paulo, propriedades, pois as Irmãs residiam como usufruto nos respectivos orfanatos e/ou hospitais. Em dezembro de 1923 a Província foi estabelecida na Rua Abílio Soares, Vila Mariana, onde permaneceu até 1937, quando se transferiu definitivamente para a Pompeia, com a ajuda da família Matarazzo.

Inauguração do Sagrado

O Colégio Sagrado Coração de Jesus iniciou suas atividades no dia 18 de fevereiro de 1937, com 171 alunos.  Quem eram estes alunos?  A observação e análise do livro de matrículas apontam para a indicação socioeconômica de sua clientela, e por extensão, do bairro. No livro eram registrados dados como nome do aluno, endereço, profissão e nacionalidade do pai. Neste item, verificamos muitos filhos de estrangeiros. Aproximadamente 75 alunos eram filhos de brasileiros, 41 de portugueses, 30 de italianos, sendo os demais, filhos de sírios, austríacos, iugoslavos e espanhóis. Isso significa que, somados os filhos de estrangeiros, quase empatavam com o número de filhos de brasileiros. A quase totalidade dos alunos morava nos arredores do Colégio, no próprio bairro da Pompeia.

Os cursos oferecidos se multiplicaram. A princípio só funcionava o Curso Primário (hoje, Ensino Fundamental), que se expandiu com a oferta do Pré-Primário (Educação Infantil), do Ginásio (hoje, Fundamental) e do Secundário (correspondente ao que chamamos hoje de Ensino Médio) a partir de 1940. Após 1947, formou-se a Escola Normal Livre (Magistério), Curso de Aplicação (trabalhos manuais) e Primário Noturno (Ensino Fundamental), destinado aos trabalhadores. Em 1971, iniciou-se o Curso Técnico de Secretariado (noturno), Especialização em Pré-Primário (Educação Infantil) e Administração Escolar. Em 1972, a Escola de Música e a Iniciação Musical.

Sete décadas e meia bem vividas

Na raiz da ação educativa das Apóstolas está o humanismo, entendido como o desenvolvimento das potencialidades do ser humano, visando realizá-lo plenamente. No início dos anos 60, as Apóstolas já se mobilizam com mais consciência no sentido de aceitar o desafio pedagógico da época; sentem que as estruturas começam a se abalar e que novos fundamentos se tornam necessários para sustentar o alicerce. Começam a definir uma nova linha pedagógica baseada em relações humanas na escola e a renovação escolar através de dinâmicas de grupo. O aluno deve se construir e não ser construído. É preciso ajudar o aluno a trabalhar para crescer, a se realizar pelo seu próprio trabalho. Já são antecipações de um construtivismo a ser vivido em anos posteriores.

Nos primeiros anos da década de 60, o Sagrado sediou o Curso de Aperfeiçoamento de Educadores Secundários (CADES), organizado e ministrado pelo MEC – Ministério da Educação e Cultura, com o objetivo de capacitar professores para as várias disciplinas do Curso Ginasial e do Curso Médio, considerando o número insuficiente de faculdades na época.

Evolução física e pedagógica

Uma característica do Sagrado foi ter nascido misto, devido a uma orientação geral da Igreja Católica, à época, para atender sua clientela. O espaço físico era suficiente. Quando teve início o Curso Ginasial, foi fechada a matrícula para os garotos, tornando-se, assim, feminino. Isso se deu em 1952. Essa exclusividade permaneceu até 1988. A partir de 1989 voltou a ser misto e, permanece até hoje, pois a co-educação é importante na formação humana. Algumas estruturas físicas construídas:

1o período(final dos anos 30, anos 40 e 50), marcado pela fundação dos prédios que formam o primeiro núcleo educacional, hoje denominado carinhosamente de Coleginho, o prédio da Província e a Capela.

2o período (anos 60 e 70), marcado pela diversificação dos cursos e crescimento do número de matrículas. Adoção de experiências pedagógicas ligadas à Nova Escola. Formação da Escola Experimental Montessoriana (Pré-Escola) e Escola Tecnicista.

3o período (final dos anos 80 até 2000), marcado pela renovação pedagógica no Ensino Fundamental de 1a a 8a séries. Expansão da infraestrutura e reformulação administrativa.

Até meados da década de 50, a escola é gerida exclusivamente por religiosas, que também se ocupam do exercício do magistério. O espaço dos leigos e para os leigos se evidencia no final da década de 50 e início dos anos 60. Há alguns motivos: expansão numérica das escolas e expansão da missão popular, impulsionada pelo Concílio Vaticano II, com opção de trabalho para as Irmãs.

Décadas de 70 e 80

O movimento da Escola Nova, o incentivo do Ministério da Educação pelas classes experimentais e o sopro do Concílio Vaticano II levaram as Apóstolas a uma iniciação ao Método Montessori. Aos poucos, todas as turmas se tornaram experimentais. O Sistema Montessoriano logo de início despertou interesse no Sagrado porque nele as Apóstolas encontraram forte identificação com a proposta pedagógica oriunda de sua fundadora, Clélia Merloni. Seu ponto de partida é a pessoa do aluno, para ajudá-lo no seu desenvolvimento integral, para que seja cada vez mais pessoa, ele mesmo agente principal de sua sociedade” . O eixo desse processo é o aluno e o professor/educador entendidos como pessoas, e a constante relação entre ambos.

Em 1971, com a promulgação da Lei 5.692, cria-se o ensino de 1o e 2o graus e neste, a profissionalização. A década de 70 é marcada por uma forte influência do tecnicismo, de influência norte-americana. A Lei 5.692 faz da escola um instrumento de preparação para o trabalho, e de mão-de-obra especializada. O Sagrado procuraria especializar seu público para atividades afins, como Secretariado, Especialização em Pré-Escola e Administração Escolar.

Na década de 80, novas tendências geradas pelas ciências da educação questionam a maneira de entender o processo de ensino-aprendizagem. O movimento cultural da juventude coloca em dúvida as representações de poder e convivência escolar. Questionam-se os regulamentos, a disciplina, a formalidade e o protocolo. Assim, este processo resultaria numa imensa e profunda transformação pedagógica do Colégio, no final da década de 80 e início da década de 90. Hoje, o Colégio mantém a seguinte estrutura:

Segmento I – turmas da Educação Infantil e Ensino Fundamental, de 1o ao 5o ano

Segmento II – turmas de Ensino Fundamental, de 6o ao 9o ano

Segmento III – turmas do Ensino Médio, da 1a a 3a série

Vocês, pais, que buscam uma educação de qualidade para seus filhos, tenham certeza de que podem contar com um Colégio com a experiência de 78 anos formando gerações.   

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