CONSCIÊNCIA, UM ATO DE IGUALDADE

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A importância da atuação pedagógica e familiar para romper o silêncio e o preconceito.

O Dia Nacional da Consciência Negra (20/11), também conhecido como Dia de Zumbi dos Palmares, tem entre seus objetivos a reflexão sobre a presença e a importância dos negros na formação histórico-cultural do Brasil. 

Respeitar e valorizar, igualdade, representatividade. Liberdade. Palavras comuns, mas que possuem um imenso significado na luta dos negros desde os tempos do Brasil Colonial, luta ainda atual.

Essa conscientização do respeito vem de berço, ou melhor, dos anos iniciais. A ação pedagógica das escolas, no senso ético e moral do indivíduo, aliadas à formação familiar, possibilita a construção de uma sociedade cada vez mais plural e justa. Como contam Ana Luiza Barreto Moreira, 11 anos, Helena Maria Barreto Moreira, 12, Priscila Barbosa Barreto e Bernardo Clavelin da Rosa, ambos de 13 anos, que vivenciam essa conscientização e o orgulho de suas origens no dia a dia familiar.

“Um livro que me marcou bastante foi um presenta da minha mãe e se chama ‘Minha Mãe é Negra Sim!’ que conta a história de Eno, um menino negro, que busca suas origens e sofre quando sua professora, na história, pede para ele pintar sua mãe de amarelo por ser uma cor mais ‘bonita’”, destacou Bernardo. E reforçou: “Minha mãe Isabel Clavelin sempre foi engajada na luta pelos direitos dos negros e da mulher. Ela me ensinou que não podemos julgar as pessoas, principalmente pela cor da pele. Tenho orgulho de quem sou”.

Priscila Barreto e as irmãs Ana Luiza e Helena Maria não deixaram de ressaltar a importância do estimulo pedagógico na conscientização no ambiente escolar: “Nós gostamos muito de esportes, jogamos vôlei e futsal, e em um trabalho de Educação Física o professor pediu para que fizéssemos o trabalho com o tema Racismo no Esporte, tendo como base o filme ’42 A História de Uma Lenda’. Gostamos de fazer porque além de ser sobre esporte, retrata a força de vontade e a luta, que também temos, pelos nossos objetivos apesar das dificuldades enfrentadas. O potencial fala mais alto”.

Segundo as estudantes, após assistir o filme que conta a história e desafios do jogador negro Jackie Robinson, recrutado para disputar a maior competição de beisebol (Major League) no auge da segregação racial nos Estados Unidos, eles fizeram tópicos para refletir sobre os pontos positivos e negativos da experiência vivida pelo jogador.

POEMA CONTRA O PRECONCEITO

A estudante da 2ª série do Ensino Médio Maria Clara França, 17 anos, também aproveitou o trabalho de literatura, por meio das artes audiovisuais, com o tema “Obras do PAS/UnB 2019”, para o Festival de Talentos Cor Jesu 2019, para evidenciar a luta pela igualdade não só dos negros como também da mulher.

A poetisa que tem como influencia os seus dois irmãos mais velhos, também engajados na conscientização, aproveitou a obra escolhida de Djamila Ribeiro “Precisamos Romper com os Silêncios” para combater o silêncio imposto a mulher negra e refletir sobre o uso da voz para dizer o que pensa, ir atrás dos direitos e não se silenciar diante de um ato de descriminação e preconceito.

“O trabalho abraçou bem o tema negritude, falando sobre a mulher negra. Principalmente no combate à discriminação e o reforço a representatividade da mulher negra na sociedade”, conta Maria Clara. (veja o poema e o vídeo ao final da matéria)

A estudante ainda falou do preconceito implícito no dia a dia, como a questão do uso “lápis cor de pele”, ato que às vezes pode vir até de pessoas negras. “Hoje ainda vemos um pouco do rastro da escravidão que marcou a nossa história. O vídeo traz essa reflexão contra a segregação, como o fato de mesmo a população negra do país ser tratada como minoria e algumas pessoas se acharem no direito que podem julgar alguém sem saber o que ela é, quem ela é e suas origens. Às vezes até os negros são contra as cotas raciais, pois acham que isso os diminui, mas não. Ela apenas reabre uma porta no ensino superior para suprir sua falta na educação básica.”

Cinco sonhos, cinco experiências, cinco realidades idênticas e um objetivo em comum: respeito. A conscientização é essencial, mas para os nossos entrevistados outra coisa é essencial: motivação. “É essencial termos mais coletividade e representatividade, mexe no lado motivacional. Imagina uma pessoa ligando a TV e vendo uma apresentadora, jogador ou um cantor negro? Imagina os sonhos que pode surgir só com esse contato! A motivação é tão importante quanto o combate a segregação”, completaram.



Poema da estudante Maria Clara, 2ª série Ensino Médio

Minha pele arde, trinca com o toque da liberdade

Minha voz ecoa, corre em meio a tanta insanidade

Sou rainha do trono em que nasci

Sou minha, sou viva, vigorosa, estátua lapidada em rubi

Luto por quem não pode

Sou por quem não é

Nessa batalha vence o mais forte 

Mas não perco por ser mulher

Espada ergo em frente aos meu inimigos

Estes que tentam me impedir de ser 

O tapete ríspido por onde piso, a cada movimento me faz transcender 

Não deixo abalar minhas dores cravejadas

Seus olhares não me intimidam, muito menos enfraquecem minha caminhada

Sou Dandara, sou guerreira, sou treinada

Sou mulher

 Grandiosa

Sou, minha própria morada

E qualquer indiscrição em minha luta deve ser ignorada

 

 

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